sábado, 26 de agosto de 2017

Review - Death Note (Netflix)

Entre acertos e erros, enfim temos essa adaptação que morre sabendo que poderia ser mais e maior, mas é apenas algo frágil, um vago espectro de toda franquia.
Entre mortos, feridos e expectativas, eis que a versão americana de Death Note estreou ontem, dia 25, no catálogo do Netflix mundial. Depois de todo auê que tivemos, pessoas dizendo que o filme seria um desrespeito com sua contraparte animada e ao seu mangá de origem, e toda sorte de negativismo, o filme saiu e, pessoalmente falando, posso dizer que o filme é fraco, mas consegue acertar.          
Mas antes que me xinguem, ou me julguem – mais do que habitualmente – se acalmem e venham comigo, pois irei explanar isso melhor durante o review; então não feche essa janela e nem vá comentar dizendo que eu estou louco.
Então vamos lá, vamos por partes: a ideia de um filme americano de Death Note já vinha rondando Hollywood há anos – desde que eu vi o animê (em idos de 2009), já rolava esse boato -, mas naquela época a Warner, que encabeçava o projeto e a produção, só tinha os direitos da adaptação, porém só segurava o ouro. Entre idas e vindas, o projeto saiu da Warner e o Netflix abraçou.
Foram meses de expectativa, tanto positiva quanto negativamente, até que começaram a sair as primeiras notícias e, tipo, tivemos uma enxurrada de comentários negativos; a ponto de termos várias declarações de pessoas envolvidas na produção. Indo além, até nessa semana teve gente da produção vindo justificar o porquê não tínhamos japoneses nativos do Japão na produção. Mas isso é pauta para outro momento.
Agora, voltando ao filme, vamos aos bons e maus momentos desse filme. Comecemos pelo fato de que ele tem 1h40 para condensar toda uma ideia, explicar plots, dar motivações e mais uma enxurrada de coisas, isso mantendo o telespectador preso à tela. Tarefa difícil e que aqui, se torna sofrível, pois poucos são os momentos interessantes, sendo que esses poucos já são mostrados no trailer.
Não que tudo seja um desperdício, vejam bem. Aqui é preciso assistir com a mente mais do que aberta, você precisa assistir esse filme pensando em um spin-off que nunca conseguirá ter o brilho nem de sua origem e nem das adaptações nipônicas, em especial quando você olha que a equipe só tem uma pessoa com um curriculum “decente”, que é o diretor. Toda equipe de roteiro é formada por novatos (um deles fez quarteto fantástico, logo calcule o nível). Logo, com isso em mente, você consegue ter um panorama de aceitação em diversos fatos então mostrados em alguns momentos do filme – a cena do L indo a público fazer a coletiva de imprensa -, porém posso tecer um ponto que, há apenas a ideia sendo mantida nesse longa, todo resto é diferente ou, alterado.
Isso me leva outro ponto, eu citei que o diretor é decente entre aspas porque, aqui, ele não consegue conduzir um ritmo linear e bem pensado. Tudo é expositivo demais, sem foco e trabalhado de modo que faz, em muitos momentos, você se perguntar como alguém trabalha dessa maneira. O filme, em momento nenhum, acerta um tom para o filme e acelera em muitos pontos; e essa é uma coisa problemática, porque quebra possíveis climas.
Quando cito que ele não se equipará nem as adaptações, digo de um modo geral, pois todos os produtos que levam o nome Death Note – aí entram: Novels, doramas, animê e live actions, não coloco o mangá porque ele que gerou tudo isso – primam pela narrativa trabalhada, demore o quanto for preciso. Há alma naquilo e pouco se trabalha expondo assassinatos e afins, já nessa versão temos um excesso. Isso, um excesso sem alma. As cenas de morte são jogadas na cara do espectador, talvez na intenção de gerar impacto e tudo ali é trabalhado de um jeito que é triste.
Mas, como eu também já disse, há momentos que se sobressaem. O Ryuk, para mim, é um personagem que, ao meu ver, dá uma ideia do que a galera envolvida tinha em mente e, por conseguinte, faz minha tese de ser uma história a parte (porém inferior) fazer sentido. Pois aqui temos ele em um novo panorama, ele sendo retratado como alguém que sussurra ideias, pensa na maldade como parte de um todo e, de certo modo, gosta de ver a desgraça. Ele é retratado, se analisarmos bem, com uma visão ocidental de, por exemplo, um demônio, pois é de senso comum que demônios sussurram o mal em nossas mentes. E é ele – que teve uma boa atuação do Willian Dafoe – quem nos dá alguns suspiros de algo legalzinho. Não tão inspirado, mas bem feito.
Já os outros atores, dá para dizer que vai do momento. O ator do L mesmo, cumpre bem seu papel até certo ponto do segundo ato, depois disso, ele vira outro personagem. Alguém mais próximo do Mello do que do L, e são momentos que dão uma imensa estranheza. O Light, por sua vez... temos um ator que TENTA, mas falha em segurar essa responsabilidade para si. Ele não chega a ser o maior problema, mas não consegue ser alguém solido ou com crenças verdadeiras para o peso de alguém que deseja ser o “deus do novo mundo”. E aí cabe a Mia ser a pessoa que age de modo implacável, não chegando a ser muito inteligente também, mas é isso.
No fim, sobra para os secundários segurarem muitos momentos de tensão e da narrativa em si. E é aí que volto ao ponto de a culpa é de quem está por trás das câmeras, em especial, porque haviam outras formas de melhor aproveitar todo universo e mitologia da série. Dava para ser melhor pensado e trabalhado, mesmo que em escala menor, e ser planejado algo com mais alma e menos ambição em algo genérico e com violência gratuita.
Claro que, não estou dizendo aqui o famoso “é um lixo, não assistam”, pois, a curiosidade mórbida atacará e vocês farão isso, porém eu aconselho a assistirem vendo em outra perspectiva, porque só assim para ter um bom aproveitamento desse filme. Em especial porque ele funciona MUITO BEM como filme trash, sendo até divertido, mas peca, e muito, quando quer ser levado como algo dentro de uma mitologia maior e já estabelecida dentro de um cenário pop – Death Note é uma das poucas obras que quebrou a barreira de antro otaku e virou parte de uma esfera maior.
No mais apenas quero dizer que, segundo alguns comentários e aquele final – horroroso – há possibilidades, sim, de uma continuação. Particularmente, eu não duvido, em especial porque teremos um efeito igual “Esquadrão Suicida” (o filme é uma merda, mas todos vão ver para atestar isso), entretanto, agora é ver como eles pretendem corrigir todas as cagadas de roteiro feitas até aqui. Mas, tendo em vista que todos os roteiristas nunca tiveram trabalhos expressivos e o diretor é puramente terror e filmes B. É, só posso pedir para eles rebotarem isso e voltarem com uma série, pois certamente será algo menos vergonhoso e triste, para o público e para eles.
Em tempo: antes que alguém venha cagar regra aqui, abaixo segue o Rotten Tomatoes do filme, e quero que vocês se atenham onde está GRIFADO, porque é aquilo que importa. O Rotten é um site 8 ou 80 em questão de se o filme é bom ou ruim, pois ele apenas agrega as críticas. Então, antes de irem pela cabeça de agregadores, assistam e analisem.
Admito que tive que tirar esse print para fins explicativos.
Postar um comentário

Follow by Email