terça-feira, 12 de setembro de 2017

Review – Fragmentos do Horror

Junji Ito provando que, realmente, é um mestre quando o assunto são bons contos de horror.
Vou começar esse texto, parafraseando o que eu disse no instagram quando postei a foto do mangá: “Quando a Darkside anunciou o lançamento dessa obra de Junji Ito eu, honestamente, fiquei empolgado. Era a primeira incursão minha em algo escrito por ele (...)”, sendo ainda mais preciso, essa foi a primeira obra que desde seu anúncio me deu um hype imenso, pois já ouvia muitos comentários sobre Junji Ito – tendo até lido matéria sobre “Uzumaki” (obra mais conhecida dele) em revistas sobre animês e mangás. 
Mas, após a leitura de Fragmentos do Horror da Darkside, posso admitir – sem medo ou receio – que o cara não é chamado de mestre à toa. Ele consegue emular bem o sentimento de horror em suas páginas e nos transporta para dentro da atmosfera desejada na narrativa. Mais do que tudo, Junji Ito é um monstro. E aqui ele nos dá uma palinha.
Antes de explanar minhas considerações, vamos as apresentações; Fragmentos do Horror (Ma no Kakera no original/ Fragments of horror em Inglês) é um mangá composto por 8 histórias curtas da autoria de Junji Ito. Originalmente, os contos, foram lançados na Nemuki – da Asahi Shimbun – de abril de 2013 até abril do ano seguinte. Convém mencionar que essa revista (que, atualmente, não está mais em circulação - segundo minhas pesquisas pela internet) é shoujo e, pelo que notei, lar de uma das obras conhecidas do Junji, que é Tomie.
Enfim, voltando aos fatos, a obra saiu nos EUA pela Viz e aqui no Brasil, como já dito, saiu pela Darkside em uma qualidade ótima, mas que já é padrão nos trabalhos da editora. Não que seja ruim, pelo contrário, é algo que dá gosto de investir o dinheiro. Cabe mencionar que a capa possuí um efeito bem interessante, que só pode ser notado melhor quando se tem o material em mãos (se você passar em uma livraria e tiver, perca uns minutos analisando, você vai achar genial).
Agora, voltando ao cerne do review, vamos falar do conteúdo/dos contos, certo? Certo!
Como eu disse lá em cima, Junji Ito não é um mestre à toa. Ele tem talento latente para te assustar e criar boas narrativas, e isso é algo que impressiona, de um modo geral. O trabalho de condução ao momento de tensão é digno de levar a marca de horror, pois te dá aquela sensação de choque, até uma certa surpresa. É, em suma, algo esperado e inesperado ao mesmo tempo e de modo que agrada.
Um ponto interessante a comentar, antes de entrar nos contos, é que o próprio autor conta no posfácio da edição que esses contos foram escritos e desenhados em um período que ele não estava tão inspirado assim para o terror. Essas são histórias de um Junji que não estava no auge, porém mesmo assim nos dão uma prévia do que ele é capaz, em especial após o “Suave Adeus”.
Mas, bem, vou deixar de enrolação e comentar os contos de um modo geral, até porque se eu falar demais sobre eles eu estrago a surpresa que eles possuem.
Dentre as 8 histórias eu divido entre as 4 que mais assustam e as 4 que menos assustam. As que menos assustam, para mim, são: “Futon”, “Tomio – Gola Rulê vermelha”, “Suave adeus” e “a mulher que sussurra”; já as que assustam são: “Monstro de Madeira”, “dissecação-chan”, “Pássaro Negro” e “Magami Nanasuke”. Não que eu classifique nessa ordem as obras que assustam ou não, mas a divisão é essa.
Das que não assustam, destaco a segunda história na minha lista (Tomio – Gola Rulê vermelha), pois ela pode não assustar – muito –, mas dá uma aflição em alguns momentos que, sinceramente, é agoniante. É algo extremamente tenso o decorrer da narrativa, porém podemos culpar o Tomio, por sua habilidade em ser mulherengo e não ter limites. Fora essa, as outras possuem bons momentos e uma tensão, mas nada que você realmente se surpreenda; elas apenas cumprem seus papéis de histórias curtas, mantendo quem lê preso, folheando as páginas com voracidade.
Já das que assustam... é, acho que posso começar pela que, para mim, dá mais aflição. Vou começar por dissecação-chan. Porque essa, meus amigos, é a história com o plot twist que dá mais sensação de choque. A página dupla usada para revelação é PERFEITA e, não importa quantas vezes eu leia, surpreende. Sem contar que, a história é interessante e, dentro da proposta, conta bem a história dentro do que se espera; Pássaro Negro é a segunda que mais me surpreendeu por ter, de um modo único, uma atmosfera que te dá, de certo modo, nojo, mas para entender o porquê, terão que ler.
Fora essas duas, as outras são boas, porém só dão aquele susto nas cenas chave da one-shot. Saindo dessa cena, são histórias competentes e que, como todas dentro desse mangá, cumprem sua função narrativa.
Claro que, aqui é válido dizer que, provavelmente, o maior acerto do autor é saber trabalhar com as sensações que o mangá (ou qualquer obra de literatura, quer seja quadrinho, livro, BD e etc) pode te proporcionar. Ele sabe, desde o primeiro momento, que precisa te prender e te conduzir e ele faz isso com maestria; sempre tendo o momento chave a postos para o clímax da história.
Dá para dizer que isso é friamente calculado, mas quando paramos para analisar bem é a mais pura habilidade para narrativa de terror. O cara já tem um curriculum antes dessa obra e, mesmo sendo criada após um período de histórias mais slice, Fragmentos do Horror prova que temos um autor que não se apega a glórias do passado e, sim, consegue ser competente no que se propõe a fazer.

No fim, sendo bem direto e objetivo, posso apenas dizer para vocês correrem e comprarem! A obra vale cada centavo que é cobrado e, se você garimpar bem, você acha com desconto bacana. Contudo, acreditem no Tio Ikari, corram porque isso é quase obrigatório na estante não só de quem curte bons mangás de terror, como de todo fã de uma boa leitura do gênero. Junji Ito é o nome do horror, se ele tiver um e esses Fragmentos são profundos e assombrosos, logo apenas se deixe levar por eles e mergulhe no mar do horror que as histórias irão te proporcionar.


Off tópic: Enquanto pesquisava sobre o mangá achei essas imagens e, achei interessante deixar para vocês verem a criatividade.


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