terça-feira, 26 de setembro de 2017

Review – Neo Yokio


Às vezes é preciso pensar muito para achar algum respiro de qualidade em certas coisas, mas quando achamos compreendemos que, talvez, haja uma mensagem maior por trás

Esse é um daqueles casos que, logo no início, já deixo bem esclarecido que não esperei para processar melhor o que vi. É, basicamente, um review que senti a necessidade de fazer por querer expressar as emoções reais e não pensadas, pois é fácil quando apenas falamos de algo pensado, mas precisamos ir além em alguns momentos e reconhecermos que há obras que precisam de apreciação diferenciada. Esse é o caso de Neo Yokio, que vou abordar hoje.
A animação, criada por Ezra Koenig (vocalista da Vampire Weekend), teve co-produção japonesa – por meio dos estúdios I.G Production e Studio Deen – e contou com 6 episódios que saíram no dia 22 de setembro (também chamado de sexta passada), no Netflix. Por ser uma obra original, como de praxe, todos os episódios saíram de uma vez.
A trama gira em torno de Kaz Kaan e suas aventuras como exorcista. Ele é, dentro da sociedade da série, um magistocrata – um aristocrata mágico, digamos assim, pois a família dele possuí dons de exorcismo e, por esse motivo, ajudam a cidade desde sempre. Logo na primeira história ele fica incumbido de exorcizar uma famosa blogueira de moda – Helena St. Tessero – e, daí para frente que se desenrola as histórias. Ok, foi um resumo bem digno de mim, ou seja, fraquinho, mas o ponto para abordagem não é o resumo e sim, como todo conceito é abordado.
Vamos por partes, começando pelos personagens e por seus dramas. Desde o começo você não consegue comprar o Kaz como protagonista, sendo mais interessante ver o mordomo robótico dele – Charles – em cena. Nenhum dos dramas que ele passa, a princípio, te convencem que ele é alguém que nos guiará pelas aventuras e, em muitos momentos, ficamos com vontade de soca-lo; afinal, ele merece por ser tudo que condenamos em muitas pessoas hoje em dia. Fora ele, ainda temos outros personagens, como a Helena, o Arcangelo (que é o rival na boa vida), o Lexy, o Gottlieb e a tia Agatha (que é quem dá as missões); que dão o tom a série e, mais do que isso, nos levam para diversas situações.
Porém nem mesmo o carisma de todos os outros personagens salva o saldo final, porque o protagonista só começa a ter destaque na reta final e a animação se torna algo vagamente próxima do memorável. Tudo porque o roteiro também é feito de modo apressado e, no começo, parece que tudo é muito fechado e sem ligação, aí quando chega nos três últimos episódios é que temos uma trama maior com um plot que evoca um “inimigo” maior, mas aí você sabe que alguém vai penar para convencer o público e justamente isso que acontece.
Todo ritmo inicial não casa com o que temos no final, apesar de termos ideias do que virá sempre adiante. Exemplo disso: a Helena começa como uma moça fútil e, após o exorcismo, evoluí, passando a ser uma garota que questiona os padrões, vira alguém contraria o senso comum. Ela começa a questionar a sociedade que vive e, nesse ponto, a série acerta.
Há um acerto na questão de questionamentos e de definição de todos os males da sociedade atual, desde questão de misoginia, até mesmo esse questionamento sobre o capitalismo exacerbado e tudo que vemos queremos. Todas essas questões são levantadas de modos variados, desde expositivos até sutis e, de modo geral, funcionam; nos fazem parar e pensar, mesmo que inconscientemente. São questões que deveriam serem tratadas no dia a dia, mas não são, em especial em um mundo que não se pode ter opinião pensante, em que você precisa pertencer a um extremo por obrigação – mesmo que assim não seja – caso contrário, obrigatoriamente, está no outro. É uma situação complicada que, aqui, é abordada de um modo até simples, mas ainda assim te faz se questionar sobre, em especial na reta final.
Fora esse acerto, a série também prima por alguns momentos de gags dignas de animês e até arrisca uma referência a Ranma ½, o que é muito engraçado e bem feito. Houve esmero nesses pontos, assim como no ponto da crítica. Tudo aqui foi bem calculado e, por esses pontos específicos, a galera está de parabéns.
Outra área que merece elogios, é a trilha sonora que ficou bem única e bem executada. É um diferencial ver um animê com lutas e um toque de “suspense” trabalhar em uma trilha sonora toda voltada para composições clássicas, ou semelhantes. Isso é um acréscimo divertido e que valoriza bem o produto final.
Além de tudo isso, cabe elogio ao character design e qualidade de animação que ficaram bem legais e sem oscilações. É algo que, também, foi pensado com cuidado e carinho, logo fica nítido que valeu o esforço e trabalho duro, só a ressalva que deixo nessa área são os poucos episódios, pois com acredito que dava para ter aprimorado um pouco mais tudo que cerca a parte de animação da série.
No fim, acredito que todos devam dar uma chance para o animê, pois mesmo com um roteiro que só engrena do meio para o fim, ele é bem trabalhado e possuí um bom ritmo. Além, é claro, dos assuntos que ele põe em debate. Sinceramente, duvido um pouco de possível continuação, pois, pelo que ando lendo, a recepção não foi das melhores, mas o final em aberto me leva a crer que, se houver outra temporada, teremos um roteiro mais coeso e elaborado. No mais, fica meus parabéns ao Ezra pelo trabalho, pois para um primeiro projeto animado, foi bem feito e bem progredido.
PS: Não mencionei no texto, mas na dublagem americana temos nomes como Jaden Smith e Jude Law no elenco.
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