domingo, 1 de outubro de 2017

Review – Digimon Adventure Tri. (Kyousei)

Aquela salada de roteiro que só fica cada vez mais complexa e consegue gerar apenas dó de quem escreveu.
Enfim acabou a espera, o 5º Ova de Digimon Tri – intitulado de Kyousei (Coexistência em português) – foi lançado no dia 30 de setembro no Japão (aqui saiu na tarde do dia 29) e, de certo modo, podemos dizer que essa espera valeu a pena. Assim, desde já, quero deixar claro que vou evitar spoilers (grandes) e vou tentar embasar minha análise em tudo que lembro dos ovas anteriores, mas, caso queira algo bem mais completo; em idos de novembro/começo de dezembro é provável que eu lance algo comentando todos os ovas até aqui, aí teremos algo mais firme e conciso. Mas até lá, vamos comentando o que rolou nesse capítulo em questão.
Primeiramente quero deixar aqui meus sagazes risos ao roteirista de todo arco Tri, porque, sinceramente, está para nascer um cara que consegue ser tão problemático para criar roteiros de modo dosado e com boa divisão de conteúdo. Já se passaram 4 ovas antes desse e, apenas agora, sentiram que o senso de urgência chama, mais do que isso, só agora que notaram que o tempo é limitado e é preciso ter rapidez para fechar todas as lacunas que deixaram abertas dos anteriores. É um caso complicado de se resolver, em especial, quando a galera prefere criar bons ganchos narrativos no final e perdem bons minutos colocando coisas bobas, que não levam a história para lugar nenhum em diversos momentos que, se aproveitados de outra forma, poderiam render mais conteúdo e trazer mais respostas as questões outrora levantadas.
Uma das coisas que, para mim, ficou mais fora de tom foi uma cena lá para o 3º ova que, mesmo sendo divertida, tira toda tensão que estava presente até ali. Toda questão “vocês estavam com uma ameaça aos humanos” é sumariamente esquecida em prol de um momento divertido e que só serve para ser barriga de todo arco. Esse é um problema que todos os ovas até aqui tiveram, todos possuem barriga demais e urgência de menos; o que, de modo geral, acaba por entregar menos do que prometem, se tornando produtos feitos só para “agradar” quem procura um lazer bobo e não quem procura histórias. A exemplo do que digo, basta olharmos a Meiko que, como personagem desenvolvida, é uma porta e muitos a consideram chata; ela tem um background bacana e, muito dele, foi bem encaixado nesse ova, mas ainda assim ela continua sendo alguém que, dentro de um contexto geral, é levada do ponto A ao ponto B para chorar pela Meicoomon.
Por falar em Meicoomon, enfim explicaram, em partes, o que ela é e o porquê ela é tão perigosa para todos. Foi uma explicação bem-feita e, de certa forma, teve um pouco de boa sacada na narrativa, mas ainda assim a equipe de roteiro e produção terá um grande trabalho pela frente para fechar esse arco narrativo, em especial quando parece que ninguém está muito interessado em, de fato, fechar narrativas – não de modo decente pelo menos – vide toda narrativa do Tai, que só foi empurrada adiante (salvo engano). Mas, além da explicação sobre a Meicoomon, ainda tivemos outros bons momentos, como a cena da batalha antes do final e até mesmo toda questão envolvendo o conflito de interesses entre as crianças, o Homeostase e o Yggdrasil, pois cada um possuí um sentimento com relação ao Digimon diferente e sem controle.
Basicamente, temos um lado que deseja o equilibro, o outro que deseja criar o caos e, por consequência, destruir tudo e, por fim, temos as crianças que desejam apenas que a Meicoomon volte para sua dona, mais do que isso desejam algo como, na falta de palavra melhor, coexistência. Isso evoca algo maior até e, se trabalhado de forma certa, poderia ter rendido excelentes momentos narrativos, mas toda a questão é bem tratada até certo ponto e, do nada, o trem fica no estático e automático da toei (o que não é bom). Esse estático que o auge de toda batalha ganha, se torna algo, literalmente, cansativo e anticlímax. É um desperdício de bom momento e, pasmem, de fall mode. É algo que poderia ser mais épico, melhor trabalhado, mas não... é tudo largado e feito no padrão TOEI de sempre.
Mas, no meio de tantas coisas cagadas e feitas de qualquer jeito temos bons momentos e até bons alívios cômicos. Confesso que me peguei rindo várias vezes ao longo das cenas que envolviam o Agumon e, sinceramente, achei bonita a cena dele com a Meiko; deu um ar fofo, sóbrio e não precisou de muito. Foi algo sútil; o mesmo pode se dizer de todas as interações dela com o Taichi, ficaram bem pensadas e possuem momentos bacanas. É algo que poderia ter sido melhor desenvolvido desde o começo? SIM, mas o que foi feito aqui ajudou, de certa forma, a tornar toda experiência menos chata.
Contudo, há outro ponto que quero criticar – sim, ainda tem mais, porque aqui pouco se dá para elogiar em primeiro momento: Vamos criticar o EXCESSO de mega evolução! Porque, sim, todos queríamos ver as evoluções máximas dos digimons clássicos, mas é difícil apreciar algo quando a história deixa isso banal. Tanto que o 4º ova fez o “favor” de mega digevoluir o patamon para Seraphimon SEM CONTEXTO ALGUM, apenas porque sim; e o 5º repete isso em uma sequência que você olha e só consegue se perguntar porque disso.
No mais, só tenho a dizer que há um caminho longo para se percorrer rumo a um final, no mínimo, satisfatório, pois as respostas aqui apresentadas foram poucas e, ainda assim, abriu-se espaço para mais dúvidas e questionamentos, em especial com o final desse ova (que, adivinhem... é sem aquele momento feels que era pedido pela narrativa). Sei que a Toei já criou boas coisas em um passado, mas não é válido fechar os olhos e falar que o Tri está sendo bem executado, porque não está e é preciso a equipe de produção reparar isso e se coçar para corrigir, criando um final descente, pois ajudaria muito para não cair em descrédito com os fãs (mas posso estar errado, vide Soul of Gold, que é horrível e os fãs de Saint Seiya gostam).
O último ova tem estreia prevista apenas para 2018 – lá para o meio do ano, uma vez que foi anunciado para o verão do ano em questão – e, até lá, dá para fazer um trabalho com diligência e foco. Dá para amarrar as pontas e entregar um final digno. É mais questão de querer do que poder, resta saber se a Toei vai ir pelo mais fácil (que é entregar qualquer porcaria) ou pelo mais correto (que é entregar algo bem feito).

Off tópic: Apenas quero salientar que não falei da Himekawa porque, nesse ova, ela não teve nenhuma atuação digna, servindo apenas para a vermos enlouquecer;
A canção de encerramento é linda, ouçam em loop;e, não menos importante, essa opinião pode mudar entre esse review e minha análise completa que saíra mais para o final desse ano.
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