domingo, 29 de outubro de 2017

Primeiras Impressões – Golem Hearts


Quando a expectativa se torna apenas mais uma receita seguida à risca...

Sendo bem direto, preciso admitir que detesto ler one-shots de obras que serão publicadas em ritmo normal, quer seja semanal, quinzenal, mensal, bimestral, etc. É algo que, em vários casos, gera frustração quando se compara as versões e, de um modo geral, acaba não sendo aceitável/viável para popularidade de uma obra. Quando comentei sobre Hungry Joker do Yuuki Tabata (se ainda não leu, leia aqui) deixei isso, de certa forma, evidente – afinal, havia um potencial tão bonito na one-shot e o Tabata-sensei saiu daquela formula para tentar algo novo, acabou que deu o resultado que vimos.
Já no caso da obra que irei comentar hoje creio que o problema principal dela seja a perda de empolgação gerada durante a leitura, mas vamos comentando isso no decorrer do texto, pois hoje é dia de falarmos de Golem Hearts, a terceira estreia dessa última leva da Jump para esse ano.
Escrito e ilustrado por Osuka Gen, a obra começou com uma one-shot e, devido a boa aceitação, virou série que começou a sair na issue #48 da Jump (explicando: a Weekly Shounen Jump tende a sair nas lojas às segundas, porém quem assina a revista recebe ela na 5ª feira da semana anterior. Exemplo – a Issue #48 chega nas bancas segunda que vem, dia 30, porém para os assinantes chegou ontem dia 26). Cabe mencionar que – particularmente falando – curti mais a pegada que a one-shot teve do que esse primeiro capítulo (não que a intenção seja comparar, mas vou acabar fazendo isso até por já termos uma base prévia).
Mas vamos lá, o que posso dizer da série sem que pareça que sou só mais um cara chato que acha bonito criticar a esmo? Até porque, quem gostou da obra, seguirá gostando, porém é um desperdício de one-shot ter voltado a focar em algo como a infância do protagonista. Isso só serve para criar um enredo enche linguiça e dar time skip. O Noah foi um protagonista que conseguiu se mostrar melhor desenvolvido e trabalho na one-shot e isso se deu, justamente, porque a série casava bem com tudo, até o fator surpresa foi bem utilizado e aqui, tudo é meio sem empolgação e feito para ser um capítulo empolgante, mas que não cumpre isso.
Em suma, é uma história que poderia ser mais e não é. O motivo disso não dá para saber exatamente, mas eu poderia julgar que tem dedo do editor envolvido, em especial no quesito humor, pois o que não temos de humor na primeira encenação da série aqui tem para dar e vender, desde o conceito de cientista atrapalhado até o protagonista que é A CARA DE TODO PROTAGONISTA DA SHOUNEN JUMP! Sério, curto pacas os mangás do carro-chefe da Shueisha, mas os autores precisam começar a ter originalidade e parar de querer ser o novo “One Piece”, “Naruto”, “DB”, e tantas outras obras de sucesso e começar a galgar seus passos. Sei que posso estar me equivocando, mas é essa a sensação que tenho quando vejo esses mangás formula do bolo 100% feita. Sabemos que as chances de render são grandes, mas é um potencial de boa história desperdiçado.
Sei que estou só reclamando do roteiro e afins, mas podemos dizer que temos personagens legais. Tanto o Noah quanto o Lamech são divertidos e mostram que tem muito a oferecer, mas ainda assim os achei uma casca de estereótipos que precisam se desenvolver mais como personagens, precisam crescer e mostrar tudo que são feitos, afinal houve os momentos de acertos dentro dos experimentos do cientista atrapalhado (que é o Lamech); já no caso do Noah fiquei triste ao ver que, logo de cara, o autor joga para o alto a surpresa dele ser um Golem, em especial para quem não leu a One-shot. Mas isso é mais frustração de leitor do que qualquer coisa, então ignorem.
Quanto a arte podemos dizer que ela, em ambos casos (tanto na One-shot quanto no 1º capítulo) ela é bonita e bem cativante, todavia senti que ele não usa tanta cena de ação assim. Tudo é rápido demais e feito para ser resolvido em um único golpe (Oneeeeeeeeeeeeeee punch!) e isso me faz pensar se será sempre dessa forma que tudo se resolverá. De coração espero que seja só um primeiro momento, afinal seria interessante ver uma batalha mais demorada entre golens.
No fim, reclamei mais que tudo e até despejei certa frustração, contudo devo admitir que a série regular tem seu charme - claro que eu ainda prefiro a história curta, em especial por ela conseguir aguçar mais a curiosidade –, mas podemos dizer que esse foi um bom começo. Só torço para o Gen-sensei não demorar muito para seguir rumo a um primeiro time skip, pois assim ele poderá explorar melhor os elementos que ele já deu aos seus leitores anteriormente.
No mais recomendo sim a série para quem curte um bom shounen padrão. Ele tem boas cenas, um humor padrão e tudo nos conformes de um shounen mangá; só espero que ele não tenha o mesmo fim que Hungry Joker teve... mas o começo, pelo menos ao meu ver, está na mesma pegada (uma one-shot empolgante e um capítulo inicial bem morno).
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