segunda-feira, 16 de outubro de 2017

Top 5 – Capítulos de Medaka Box

Porque falar sobre a obra apenas uma vez não é suficiente, logo vamos comentar ainda mais sobre esse mundo louco, porém maravilhoso!
Sei que, sim, já falei da obra antes (vocês podem ler, clicando aqui... ou lerem sobre Shounen Shoujo clicando aqui). Sei que já fiz um textão para contar minha experiência – como fã – com esse mundo louco que NisiOisin criou, mas fiquei devendo explicar um pouco mais sobre os meus capítulos favoritos. Comentar um pouco mais sobre aqueles capítulos que, para mim, foram chaves para tudo que veio depois (ou que elucida tudo que veio antes, vai do momento).
Pois bem, enfim estou cumprindo isso e, abaixo, vocês saberão um pouco mais sobre cada capítulo, ou sequência que escolhi. Vale mencionar que não coloquei em numeração de 1º a 5º, mas fui por ordem cronológica, até para que vocês – leitores – não fiquem tão perdidos nessa maluquice. Enfim, vamos prosseguir! Let’s Go!
PS: quando eu cheguei as ideias já estavam assim, então não é minha culpa pelo que virá
PS 2: Irei nomear os capítulos da mesma forma que eles são nomeados (ou seja, ao invés de capítulos, serão sugestões).

55ª e 56ª Sugestão – “Você fez uma coisa ruim” & “Eu sou seu senpai do secundário”

Admito que, de uma análise geral, há outros capítulos que me chamam atenção antes desse. Daria para colocar, tranquilamente, a luta contra o Unzen, a explicação sobre os anormais e até a primeira batalha da Medaka vs Zenkichi, mas preferi essa sequência de capítulos por um fator muito simples. Um fator chamado Kumagawa Misogi.
Não dá para começar meu top sem mencionar o personagem que fez eu me interessar pela obra e, por consequência, me deu um dos melhores arcos que eu já li na minha vida. Me arriscando a ir além, não dá para dizer que esses dois capítulos não trazem o que instiga alguém, em especial o 55 que é justamente onde o animê acaba. A última página é EXATAMENTE o último momento do episódio 11 (lembrando que o episódio 12 é uma das partes do Good Loser Kumagawa), logo o 56 é continuação daquilo. É a resolução e a apresentação daquele que, de modo único, é o completo oposto do protagonista. É a personificação da negatividade e, incrivelmente, é o personagem que mais nos traz o princípio de quebra da 4ª parede; nos entregando momentos excelentes.
A primeira aparição do Kumagawa traduz bem o medo que ele transmite por suas habilidades. E os diálogos dele soam fora do que suas atitudes dão a entender. E é isso que torna esses dois capítulos tão especiais.
Mas o 55 tem um porém, que é o final da luta entre a Medaka e o Miyakonojou e, é nessa batalha, que conseguimos ter uma dimensão do quão monstruosa é nossa protagonista no quesito de poder. Afinal de contas, abrigar um “monstro” dentro de si é impressionante por si só, tal qual a habilidade dela, o “The End”.
No geral, esses dois capítulos são o fim de um arco e começo de outro, porém prefiro apelida-los como começo de um prenúncio para um senhor arco, ou seria melhor dizer... uma incrível quebra de tudo que acostumamos.

88ª – 92ª sugestões: “Bom ver você”, “E só tem uma regra”, “Agora e a muito tempo atrás”, “Se existir uma diferença” & “Disseram para mim que seríamos iguais algum dia”

Na sequência anterior eu comentei que gosto dos capítulos em questão devido a eles serem o começo de algo incrível e diferente, certo? Então... podemos dizer que essa imensa sequência é o fim de tudo isso e, bem, vou tentar contextualizar tudo que ocorreu para conseguir explicar meu amor por essa sequência e, mais do que isso, exprimir o quanto eles têm um significante para mim.
Comecemos com a questão de que o Kumagawa é, em suma, o caos. O mais completo e perfeito caos, ou mais do que isso; ele é a junção da negatividade bruta com o caos exagerado. Ele é a antítese do herói, o monstro que todos possuímos em algum momento de nossas vidas. A perfeita alegoria de personagens que quebram a quarta parede e nos fazem ver que, talvez, a história não seja o preto no branco que pensamos.
A aparição dele evoca mais do que um simples contratempo, ela evoca a tempestade. É quando ele aparece que, enfim, temos alguém à altura de chamar um problema verdadeiro, pois toda situação causada por ele é bem pensada e minuciosamente usada para justificar o confronto e, no confronto, é que vemos o que – DE FATO – é um Minus. Aqui entendemos o conceito do Minus, e ele vai ALÉM dos anormais. Ele é a pura negatividade personificada e desestruturada, se tornando fonte de algo incrível e habilidades tão surreais quanto as já apresentadas.
Podemos dizer que, a desconstrução do shounen em narrativa, é tão grande que temos, inclusive, a quebra do arco de treinamento. Temos a quebra do ideal de shounen mangá base, para uma visão mais negativa. Em suma, temos um personagem que cria um “inferno” visando “vencer” mesmo sabendo que irá “perder”. E, sinceramente, perder aqui acaba sendo um dos menores pontos, em especial quando chegamos no ponto desses capítulos.
Podemos dizer que, aqui temos vários momentos da “verdadeira face do Kumagawa”. Temos o “vilão” sem mascará e de peito aberto para enfrentar o herói. É aqui que compreendemos um dos maiores “clichês” shounen e temos ele jogado na página como uma virgula narrativa.
Além de tudo, ainda temos um confronto que possuí uma condição bem interessante para o fim dele, fora a batalha que vai muito além do “eu venci”, pois vemos o quanto as questões de ganhar ou perder são ínfimas perto da condição de ser protagonista e de ter apoio de todos que os cercam. No fim da batalha muito aprendemos e então temos a inserção efetiva daquela que nos gera a maior crítica ao shounen mangá.

138ª – 140ª sugestões – “Se você deseja mudar a Medaka-chan”, “Eu pensei que era errado eu viver” & “A vida é épica”

Já pensaram em ver um protagonista como vilão? E quando eu digo vilão, não é ele sendo mal pacas e, no fim, virar do bem. Digo vilão no sentido de ser desconstruído em um nível que te faz achar ele extremamente fdp. É, basicamente, isso que o Nisio faz no arco que pega esses três capítulos.
Ele, em essencial, nos faz ver o lado detestável da Medaka, nos faz ver o quão “cruel” ela é com as pessoas devido a sua condição “anormal”. Podemos dizer que, de modo geral, esse arco nos dá muitas críticas ácidas ao mercado shounen, desde sua estrutura, até a como decidir que, dentro da história, é popular. Tudo isso referenciando várias coisas, polvilhando citações e momentos que nos fazem olhar e fazer aquele “wow” de espanto. É isso que, resumidamente, é o arco do 100º presidente de Hokinawa.
Mas esses capítulos que escolhi possuem um significado imenso para mim. Eles possuem uma crítica que, ao meu ver, ecoa além de críticas ao sistema shounen. Ele nos tira do conforto de está tudo bem e vida que segue. Ele nos torna cativo daquilo e, enfim, nos faz entender direito como o que é Medaka Box. É ali onde temos o coração de tudo que foi construído lá atrás.
Posso dizer, sem medo, que só atualmente que consigo ler os discursos sem sentir um super tapa na cara. Sem surpresas, pois, de certa forma, já destrinchei tudo aquilo a minha maneira de entender.  Ler cada um dos dois discursos “normais” e críticos me faz notar o quão somos dependentes de um sistema que, por vários momentos, é falho. É burro. E nos polariza (e sim, sem virgulas).
Ler as cinco not equals mostrando o quão burro é abrir mão da opinião de um todo por questões de rankeamento, de melhor ou pior, de 1º ou último nos leva ao questionamento. Mais do que isso nos dá uma primeira impressão do que ainda poderia estar por vir. O Zenkichi segue com um discurso que, sinceramente, é um esporro. Esporro contra a dependência desse sistema. Contra a dependência que temos em depender demais dos outros ou ficarmos inertes a algo, quando podemos fazer por nós mesmos. Isso remete muito, no meu ver, àquelas pessoas que nunca conseguem algo e culpam mundos e fundos quando, na realidade a culpa é sua.
Desde o começo temos uma protagonista que se faz presente, que se levanta em defesa de todos. Ela é a personificação do que é perfeito. Do sistema que não há por que reclamar, mas é certo dependermos disso por toda vida? É certo jogarmos tudo nas costas de uma única pessoa porque ela tem um coração de ouro? É certo? Esse é o principal questionamento que os dois discursos entoam. Essa é a entonação normal...
O discurso da Medaka é, de modo simplista, a mesma base. Mantenham o padrão. Confiem em mim. Deixem de se responsabilizarem por tudo e só se joguem. É um discurso bacana, porém evoca o comodismo. É a anormalidade que ressoa perto da normalidade. É o monstro perto dos que são simples pessoas. É a divindade perto dos mortais. É algo estranho... até destoa de tudo que vemos até ali.
A resposta a esse discurso, dentro da série, não poderia ser mais óbvia. E quando essa resposta é dada, vemos que ainda há esperanças. Vemos que há chance de reformar até quem reforma e tornar tudo ainda mais incrível. O auge dessa sequência começa aqui e, de modo geral, é impactante. Afinal é válido mencionar que, foi nessa época que o animê estava para estrear e a Ajimu havia prometido acabar com o mangá antes do animê, fazendo uma incrível quebra de quarta parede. Fora isso, quem consegue imaginar uma crítica ao cenário de rankeamentos por popularidade em uma revista como a Jump, que é a maior dependente desse sistema.
Basicamente eu, depois de anos, entendo essa crítica a esse sistema viciado. Indo além vejo como uma crítica para que venhamos melhorar como pessoas e avançar. Porque, é para frente que se anda, e não guardando maus sentimentos e culpando alguém. É preciso ir além e isso nos é entregue nesse auge.
Após ele temos o momento que dá explicação ao nome do capítulo 140 e, mais do que isso, ao volume 16. Temos a enfatiza frase “a vida é épica” e é uma frase que eu – Paulo Ikari – concordo, pois não importa o quanto tudo seja difícil, ainda podemos avançar, desbravar mais. Quer tenhamos 10, 20, 30, 300 anos. Somos mais do que números, mais do que o que acreditam que somos. E é isso que ganhamos na ideia desse capítulo, ganhamos um pensamento de suportar as maiores lutas visando sempre um amanhã melhor. Ser maneiro é o que, talvez, baste por agora sabe.

168ª Sugestão – “A primeira e única ação tendenciosa”

Vamos começar falando daquele capítulo que, em partes, carrega um feels lindo e, em outra, carrega o melhor momento do Kumagawa com a Ajimu. Vamos falar sobre essa ação tendenciosa que, para mim, foi a melhor coisa que poderia ter ocorrido, em especial quando notamos que tudo aqui tem um peso maior do que o esperado.
Primeiramente é importante mencionar que, sim, esse capítulo se passa após conhecermos o Ihiko e sabermos que a habilidade dele é não permite que seja desfeito o que ele fizer. Ou seja, ferimentos não são curados e mortes não são reversíveis – coisa que, até aqui, sempre foi possível. Logo é um capítulo que tem seu teor de, enfim podemos prestar aquele momento póstumo a quem morreu, mas é a pessoa que faleceu quem rouba a cena nesse capítulo.
Temos dois enfoques aqui, primeiro no Kumagawa conversando com uma gravação programada da Ajimu, o outro é o Zenkichi relembrando o primeiro dia que conheceu a Shiranui e, em ambos casos, temos excelentes momentos e sacadas. Temos um Kumagawa que, por mais maneiro que seja, está deprê e segue no seu pessimismo de “não posso vencer”. É aqui onde temos uma frase motivacional bonita, onde temos aquele momento que quebra nossos coraçõezinhos, nos deixando a mercê daquele momento.
Já no caso do Zenkichi, conseguimos entender melhor como ele conheceu a Shiranui e também vemos o quão importante ela é para ele. Ela é uma amiga que não dá para substituir e, devido a isso, ele não tenciona abrir mão. Ele quer salva-la, independente do quanto isso lhe custe. É bonito, tocante, porém não é aquele peso de emoção como o momento do Kumagawa, mesmo que nos mostre um lado legal do nosso co-protagonista.

185ª Sugestão – “Um mais Um é”

Vou encarar um fato que, até hoje, eu não trabalho para admitir. Nesse capítulo eu chorei e não foi uma vez. Devo ter lido ele tantas vezes quanto é possível se ler um capítulo e ele, sempre, figura como um dos meus capítulos favoritos, pois seu ensinamento me lembra muitas pessoas. Mais do que isso, ele me lembra todos que já cruzaram minha vida.
Se eu perguntar quanto é 1+1 a resposta será a padrão, mas aqui essa simples questão entra em um ponto além. Entra na questão de relação interpessoal, em relação à crescimento como pessoa, isso enquanto vamos avançando. Essa é a sacada genial que torna esse capítulo ainda melhor que a tríade 138 ao 140.
Mas vamos do início, vamos começar mencionando que, conforme o esperado, temos a derrota do vilão antes desse capítulo. Mas temos uma derrota que foge do comum. Ele não é vencido por golpes soco ou chute, afinal, como se derrota a violência pura assim? Ele é vencido pelas “palavras”; mesmo que golpes não o atinjam, a palavra certa, o estilo de fala correto, vence qualquer adversidade, pois, como já me disseram, jeito certo de falar abre as portas e evita contendas desnecessárias.
Contudo temos um problema que exige um esforço para ser solucionado e, após isso adentramos esse capítulo. Adentramos primeiro em um discurso voltado para relações interpessoais e outro que visa motivar.
O primeiro deles é, basicamente, a resposta mais clara a um questionamento tão simples, que é o 1+1. É aqui onde vemos um Zenkichi explicar que aprendeu isso após muito conviver com a Medaka, ele expressando que, sim, as relações interpessoais vão muito além de um simples um mais um, pois somam mais e mais. Em suma, são relações que fazem bem, logo só trazem mais e mais coisas boas. São os bons momentos que devemos valorizar e viver cada dia a mais, afinal, é para isso que crescemos. Para cultivar laços e nos tornarmos pessoas melhores.
O discurso do Kumagawa, por sua vez, apresenta o velho pessimismo dele, mas há algo que vai além. Ele nos dá uma noção de esperança com seu discurso todo às avessas, nos fazendo ver que independentemente do quão desesperadora sua situação for, ela pode melhorar. No fim ele ameaça de espancar quem disser o contrário e, nesse momento, é que uma frase do 168 faz TODO O SENTIDO e nos traz lágrimas. Ok que a situação em questão era esperada, porém tem toda uma questão do Kumagawa ser azarado e sempre apostar no que não acontece. É aqui que você se pega olhando para a tela, com lágrimas e dizendo “putz! Valeu a pena ter seguido até aqui”.
Nesse ponto você consegue ter a plena consciência de que as relações que criamos, as somas pessoais que fazemos hão de seguirem nossa vida para sempre, pois é graças a elas que conseguimos chegar até aqui, porém também temos crescimento de que o impossível, sim, é possível. Tudo se torna questão de perspectiva. De quem queremos ser e onde queremos alcançar. Um mais um é muito além de simples dois. Vai da sua visão, do seu crescimento e da sua própria libertação de si mesmo. Essa é a lição que, em suma, a série passa a seu modo.
E esse capítulo é o ápice de toda essa ideia. É o perfeito auge e teria sido o perfeito final, mas foi preciso toda parte de finalização mais fechada. Perdoo o NisiO por isso, mas ainda assim, aqui é o marco perfeito para quem deseja analisar a perspectiva do que a série passa.



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