sábado, 6 de janeiro de 2018

Review – Devilman Crybaby


Obra em comemoração aos 50 anos da carreira de Go Nagai faz bonito e honra legado que carrega, trazendo uma história de horror com muita sanguinolência
Admito que sempre tive curiosidade em conferir alguma obra da autoria de Go Nagai desde que me entendo por alguém que escreve. Isso se intensificou bastante quando comecei aqui no Dollars, em especial, porque foi aqui onde comecei a descobrir mais e mais obras dele; logo, quando descobri que teríamos uma nova animação de Devilman para a Netflix, não me contive e fiquei feliz. Criei hype em cima da produção desse novo animê e, após assistir aos 10 episódios que saíram no dia 05 de janeiro, posso afirmar que o hype foi correspondido.
Mas antes de qualquer coisa, vamos falar um pouco sobre a parte técnica da série: a obra criada por Go Nagai foi publicada na Weekly Shonen Magazine de junho de 1972 até junho de 1973 rendendo 5 volumes encadernados, que compilam os 53 capítulos da série. Além disso, o mangá original gerou alguns animês antes desse, podendo ser destacado a série animada de 1973 que teve 39, porém houveram OVAs, spin-offs em mangá e até crossovers.
Cabe mencionar que apesar de ser publicado em uma revista voltada para garotos, a obra possuí conteúdo que, atualmente, só sairia em revista Seinen – para dizer o mínimo -, pois temos uma história que não poupa seu leitor de cenas fortes, assim como não deixa um roteiro aconselhável para os leitores com estomago fraco.
Esta nova animação foi produzida pelo Science SARU, tendo Masaaki Yuasa como diretor, Kiyotaka Oshiyama e Ayumi Kurishima como character designer, ou seja, foram o Oshiyama e Ayumi quem nos entregaram aquele design que, a princípio, é estranho, mas quando você se acostuma, fica o encaixe perfeito. Fora eles, ainda temos Okuchi Ichiro cuidando do roteiro da série e Kensuke Ushio à frente das músicas dessa série.
Depois dessa longa introdução técnica, vamos falar sobre a série de fato; mas antes cabe mencionar que toda essa equipe que, no fim das contas, produziu um conteúdo competente que consegue ter um resultado bem satisfatório.

Demônios também choram (Pontos gerais da série)

Vamos lá; quero começar esta parte comentando que, conforme eu disse anteriormente, o resultado final da série é bem positivo e, sim, tive meu hype correspondido ao máximo, mais do que isso, posso arriscar e dizer que foi superado todo hype inicial que eu tinha; afinal temos um animê que não se preocupa em fazer cenas de violência pesando a mão. Aqui tem sangue a dar com pau e cenas que realmente podem te chocar se você não for alguém preparado para o que virá a seguir.
É interessante ressaltar que, apesar dos traços estranhos, os personagens que protagonizam a série dão um charme a mais em toda essa estética insana e todos possuem um carisma que nos chama atenção, de certa forma. Porém cabe menção a um problema que, para mim, poderia ter sido melhor trabalhado: esse problema envolve o protagonista, pois, no mangá, é melhor esclarecido o porquê de ele ter conseguido sobrepujar o demônio que reside dentro dele – no mangá é esclarecido que isso ocorre por ele ser uma pessoa pura -, já no animê é algo que fica subentendido. Não que seja um problema, contudo essa explicação ajudaria melhor na explicação do desenvolvimento dele, de um modo mais geral.
Além dessa questão de desenvolvimento também temos algumas coisas bem legais, como, por exemplo, referências a obra clássica – tipo a opening theme da série tocando em determinado momento -; sem contar algumas mudanças que ajudam a obra a soar um pouco menos agressiva (se não me engano, no original e no live action, é o pai do Ryo quem se vê imerso no mundo dos demônios, não o professor Fikira). Também é legal que mantiveram a cena do Sabbah da mesma forma que me lembro de ter visto no mangá. Foi uma cena que acaba fazendo você ter uma ideia do que viria por aí, mas ainda assim foi onde eu comecei a ver o quanto tudo se encaixava bem.
Mas vale mencionar que, apesar de tudo, o clímax da série se desenvolve em ritmo rápido parecendo que foi acelerado para caber dentro da proposta dos 10 episódios, porém isso não significa que não é bem feito, pelo contrário, é bem trabalhado e conseguimos ter um acompanhamento linear de toda mudança de clima – que saí de algo “demônio do episódio seguinte para apocalipse” em uma sequência de episódios bem trabalhada, mais do que simplesmente colocar o fim do mundo como algo simples, há toda uma reviravolta que surpreende quem não esperava e pode vir a desagradar os mais sensíveis -. Quando essa reviravolta ocorre a violência – que já era alta – aumenta ainda mais e temos um show de sangue e gore na tela que não perde em nada para os animê “pesados” de atualmente, mas consegue fazê-los parecer algo para crianças.
Todo plot que a segunda metade da série vira (ou os episódios finais, mais precisamente), nos faz vivenciar momentos que são bem pensados dentro da ideia principal e a revelação do último episódio é bem pensada, justamente por ser algo que é imaginável, mas ainda assim possuí seu choque.
Mas entre bons e ótimos momentos, também temos pequenas falhas como a já mencionada correria para o final – poderiam ter feito tudo em 13 episódios que, provavelmente, funcionaria.  Além disso também temos momentos que a animação parece oscilar qualidade, ficando ainda mais simples e estranha. Contudo nada que estrague a diversão de quem tem curiosidade de acompanhar.

Considerações finais

No fim das contas, devo admitir que esse é um animê que vale o tempo que gastei maratonando ele. É um animê que é simplista em seu roteiro, porém ainda tem charme o suficiente para me fazer entender o porquê muitas pessoas acham ele “forte”, afinal estamos falando de uma obra que é crua e não tem medo de chocar por seu excesso de sangue e por seus momentos extremamente agressivos (final do episódio 9 me chocou de um modo único).
Cabe citar que, sim, temos dublagem de Campinas, mas – para mim – em nada atrapalhou o entendimento e a qualidade dela, achei normal, sem brilho, mas também sem tantos defeitos quanto li algumas pessoas pontuando nos comentários sobre a série lá no site da Netflix, entretanto acredito que deviam diversificar no cast e não deixar 5 pessoas só dublando. Em todo caso, não sou nenhum entendido de dublagem (como muitos que comentam), logo não vou me estender nesse assunto.
Mas, em todo caso, assistam à série (sem crianças ou pessoas sensíveis próximas, sério). Garanto que se você for fã de gore e não ligar para a simplicidade que a história apresenta, você irá extrair toda diversão que a série tem a oferecer. Isso sem contar que, talvez, irá passar a se questionar se não são os humanos, quando dominados pelo ódio cego, piores que os próprios demônios.
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