domingo, 25 de fevereiro de 2018

Review – Fullmetal Alchemist (Live Action)

Sabe aquele filme que só vale se você não conhecer o material de origem? Então... esse é um dos casos que cabe bem nessa definição.
Acredito que, de modo geral, seja um consenso que, em 99,9% dos casos, live actions baseados em animês/mangás não sejam algo bem visto pelos fãs. Independente de qual seja a obra, muitos torcem o nariz e ficam caçando referências ao material de origem – o que, em muitas vezes, estraga a experiência final do espectador -.
O fato é que, muitos esperavam que o live action de Fullmetal Alchemist fosse algo que fugisse da regra de adaptações ruins, pois a obra possui todo um roteiro bem estruturado e um desenvolvimento de história nota 10 (cortesia da tia Hiromu Arakawa, autora da obra), porém quando a obra foi lançada no Brasil no dia 19 de fevereiro – pela Netflix – muitas pessoas começaram a questionar a qualidade do longa-metragem; pois bem, afinal, temos realmente um filme ruim ou o filme é bom, porém o povo é chato? A resposta para isso é: o filme não é funcional para quem conhece a obra. Ponto. Não é questão de ser chato ou xiita, contudo o filme não é ruim; mas vamos por partes para esclarecer meu ponto de vista – e para não gerar rage desnecessário -.
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Primeiro ponto que devemos analisar é que o roteiro do filme não tem foco de adaptar todos os 27 volumes originais da obra, dando a ideia de, em diversos momentos, querer criar um filme com brechas para continuação. Não é um roteiro ruim ou preguiçoso, todavia ele não consegue achar um link para ser atraente aos fãs da obra; em diversos momentos fiquei olhando e me perguntando como seria se tivessem pensado de forma diferente, porque tudo ali funciona, mas não encanta e nem gera impacto.
Isso sem contar que, misturar arcos dramáticos uns nos outros não gera o efeito esperado, causando só aquele gosto amargo na boca de quem desejava ver algo com a mesma intensidade que a vista na versão animada da obra – a cena da Nina mesmo é totalmente sem impacto, nos deixa com dó, mas não nos faz sentir o peso do momento -. Fora isso, ainda vale citar que todo ritmo do terceiro ato do filme é ruim, para não dizer perdido no seu próprio foco.
Porém o filme também possui coisas bem legais e alguns momentos que dá suspiros de ser um material digno de sua base, mas são momentos que acabam não se sobressaindo sobre o resultado final, até porque muitas mudanças feitas impactam no que poderia criar mais brilho ao conjunto da obra. É complicado explicar sem ser repetitivo, mas é sempre válido dizer que, dentre tudo, achei bizarro todo terceiro ato do filme. Nada ali se encaixa na construção narrativa, de uma forma geral, sem contar que eles descartam um personagem que é importante dentro daquele universo de uma forma bem nhé.
Ok que estamos falando de um filme que procurou adaptar menos de 10 volumes da obra em duas horas, mas dava para ter saído algo mais inspirado e bem planejado. As atuações são boas e todas as sequências de ação estão bem-feitas – na medida do possível -, porém no ponto chave da obra, que é a carga dramática e de envolver o espectador, a obra se perde e se torna mais um filme genérico e sem identidade própria.
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Claro que, como eu falei lá em cima, temos algumas brechas para continuação, porém tenho minhas dúvidas se a mesma pode rolar – sinceramente, pelo pouco que lembro a recepção do filme lá no Japão foi bem morna -, contudo se rolar terei as expectativas ainda mais baixas do que as que formei para esse primeiro filme, em especial por saber que em caso de continuação teremos uma salada de frutas imensa para explicar os novos personagens.

Em todo caso, podemos dizer que, no fim, o filme funciona como filme para se assistir em um domingo de tarde com a família, mas não irá agradar quem é fã do material base por ser muito distante de sua origem – nem a dublagem com algumas pessoas do elenco do animê ajuda -. Vale a conferida, porém assista sem expectativas para não se decepcionar e reclamar da qualidade do filme.
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