domingo, 15 de abril de 2018

Cantinho do Ikari – O dia que voltei a ler Turma da Mônica Jovem


Porque as vezes vale a pena retomar a leitura de algo, em especial quando a história coopera com seu momento atual.
Admito, com certa relutância, que não tenho costume de ler material nacional. Não que eu desgoste, mas em muitos momentos me deixo levar por aquele título que estou “paquerando” desde que foi anunciado; porém isso deu uma mudada nos últimos meses, pois acabei sendo atraído pela capa de uma edição do Turma da Mônica Jovem – aquela versão em mangá dos personagens que todos nós lemos na infância (creio eu) -.
A edição em questão me chamou atenção pela capa e, sem muitos questionamentos, acabei comprando (afinal, estava com dinheiro no momento e valia a pena) e, dá para dizer dessa forma, valeu a pena cada centavo gasto nessa edição – assim como no volume seguinte, que fechava o arco em questão -. Para quem estiver curioso, a edição em questão é a de número 14 e dava início ao arco “O Portal das trevas” que tem roteiro do Wagner Bonilla.
Confesso que eu havia deixado de ler a turma jovem em idos da 3ª edição do primeiro ano da série (ano esse que foi até a edição 100, a edição 14 que tenho é do segundo ano da série; complicado? Eu sei, mas ainda assim é uma boa estratégia) e de lá para cá uma capa ou outra me chamava atenção, mas nunca recorria a comprar. Afinal, qual o sentido de comprar algo que, para mim, não dialogava comigo?
Esse conceito que eu havia pré-formado mim, era o que me afastava não somente dessa obra, mas de muita coisa nacional, de certa forma; mais do que isso, é o que afasta muitos, pois do que adianta lermos algo que não nos desprenderá da realidade por aquele momento; creio que esse seja o sentido de uma obra literária de forma geral.
Porém, a edição em questão me despertou curiosidade o suficiente para eu comprar – aproveitei que já estava com dinheiro e pensei, porque não -. O resultado, no fim das contas, foi que me peguei absorto por uma narrativa extremamente competente e que, mais do que dialogar comigo, me fez pensar um pouco mais sobre aspectos da vida que, até então, eu nem cheguei a cogitar.
O enredo dessa história, que foi publicada em duas edições (#14 e #15), é, basicamente – para não dar spoiler -, sobre amizade. Contudo aqui isso não é trabalhado da mesma forma que, geralmente, vemos em trabalhos assim, há um cuidado e um carinho imenso na mensagem que será passada. Vemos como uma briga com alguém querido pode acabar descambando para algo mais complicado, como mágoa por exemplo. E, no fim, temos uma conclusão que cumpre bem seu papel, com direito a uma brecha para possível continuação.
Aí, nesse momento, você questiona o porquê da obra me chamar atenção e eu, prontamente, respondo que o fator que me chamou atenção foi justamente a obra focar nos laços de amizade e em como isso nos é importante. Para mim a forma como a mensagem foi passada e como foi trabalhado todo enredo não ficou devendo em nada para um mangá de origem japonesa, pelo contrário, me gerou uma aproximação e identificação até maior – e isso não se deve ao fato que acompanhava a turminha quando pequeno -. Aqui você consegue ter todas as nuances de uma narrativa que sabe dialogar com seu público alvo e, de quebra, consegue atingir os mais velhos.
Cabe citar que, enquanto redijo esse texto, estou com uma das republicações da primeira série, mais precisamente aquela que faz paródia com Death Note e, pasmem, curti bastante o conteúdo da paródia! Apesar de notar que há uma qualidade gritantemente menor que o arco do Wagner, aqui temos uma história que usa e abusa das referências e ainda assim consegue entreter!
Sei que muitos vão me apedrejar por falar isso, mas consegue me divertir com ambas edições que possuo em casa – em especial a da paródia, porque é algo MUITO FUNCIONAL, mas prometo resenhar isso de uma forma mais competente logo menos – e, além disso, posso afirmar que é algo que tenciono voltar a colecionar, pois achei um ponto de ligação comigo, como leitor. Não que tenha sido fácil achar, mas, admito que faltou eu querer sentar e ler alguma história que me atraísse, mas como eu ficava naquele preconceito de que mangá brasileiro não dialoga comigo/mangá da turma da Mônica é para crianças (e é! Contudo você, adultão, pode ler sem medo), não arriscava a compra.
Depois que eu arrisquei e comprei para dizer o que, realmente, acho acabei curtindo e, às vezes, falta o mesmo para você leitor. E não somente com mangás da Turma da Mônica, mas com todos os mangás de seguimento nacional (exceto Henshin mangá 2, porque ali é ruim mesmo, já o 1... aaaaah é divino!).
De coração, posso garantir que, se você der uma chance para aquele mangá (porque não quadrinho de forma geral) nacional que você tanto observa, mas reluta, você será recompensado com algo que, muito provavelmente, irá te agradar muito.
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