quarta-feira, 5 de setembro de 2018

Estante do Dollars - The Promised Neverland #1

A promessa que se concretizou e atraiu o sucesso

Podemos dizer que a cada dia que passa, mais vemos uma enxurrada de novos mangás aportando no Brasil e no mundo, porém nem todos conseguem obter êxito ou gerar o hype para vender o suficiente e ter seu lugar no sol.
A obra que está na estante hoje é uma obra que já comentei em idos de 2016, porém na época apenas apostei na série sem esperar o sucesso que veio cerca de um ano depois. Então depois de falar minhas primeiras impressões, chegou a hora de falarmos sobre o 1° volume de The Promised Neverland, que a Panini Comics lançou durante a Bienal do Livro 2018. 
Se acomodem e vamos falar mais sobre esta obra que conseguiu sucesso por mérito e qualidade própria.

Sinopse Oficial:

Ela é amada como uma mãe, mas não é uma mãe de verdade. E as crianças que vivem juntas também não são irmãos de verdade. Emma, Norman e Ray vivem felizes em um remoto orfanato, porém, esses alegres dias estão prestes a acabar...


Considerações Gerais:


Escrito por Kaiu Shirai e ilustrado por Demizu Posuka, The Promised Neverland (Yakusoku no Neverland, no original) começou sua publicação em Agosto de 2016 na Weekly Shonen Jump, da Shueisha, e logo de cara provou que possuía algo diferente. Contudo esse algo diferente da obra só foi concretizado alguns meses depois quando o mangá simplesmente virou um hit no Japão, com vendas que beiravam as 400 mil cópias. Devido a isso não era surpresa que, aproximadamente, um ano e meio depois de seu lançamento a série ganhasse seu anúncio de animê (que estreia em Janeiro do ano que vem). Atualmente a obra conta com 10 volumes e segue em publicação.
Mas deixando o lado técnico de lado, vamos aos comentários sobre o que, exatamente, torna a obra tão cativante a ponto de fazê-la cair nas graças do público. Claro que neste estante irei comentar sobre o volume um em um todo, logo passarei uma visão mais ampla se compararmos com meus textos anteriores sobre a série (porque tem minhas primeiras impressões com relação ao capítulo #1 da série, quando ela saiu no Japão).
Primeiramente é necessário dizer que temos diante de nós um roteiro que sabe onde deseja chegar e que consegue manter sua estrutura narrativa desde o primeiro arco, mais do que isso, é uma história que sabe ser contada de forma única e que prende o leitor, o fazendo ter a mesma sensação que os protagonistas da obra. Você começa com uma visão linda do orfanato e quando ela caí por terra, a sensação vira um choque seguido por inúmeros pontos de virada que te deixam vidrado e virando a página de forma in loco.


Além disso é preciso dizer que o Shirai-sensei é um roteirista que sabe construir uma boa escalada narrativa e gera excelentes cliffhanger quando necessário. Ele consegue nos construir personalidades interessantes e únicas dentro do que ele se propõe a fazer. Aqui não há desperdício de intelecto, tanto no caso dos personagens como no caso do leitor, pois há uma construção de roteiro que se foca em fazer o leitor raciocinar e repensar todas as estratégias outrora pensadas.
Contudo, não dá para elogiar apenas o roteiro, pois a arte do Posuka é competente e se encaixa de modo simbiôntico com o que é proposto pelo Shirai. Aqui temos uma arte que sabe trabalhar o clima e, mais do que isso, se atreve a pequenos spoilers ao longo dos capítulos (isso é o próprio desenhista que comenta na contracapa do 1º volume). Sem contar que ele consegue criar boas composições de cena e sabe passar a tensão que é pedida em diversos momentos.
Fora tudo isso, dá para comentar que essa fusão arte e roteiro bem alinhados e refinados extraí o máximo possível do ritmo, nos entregando um volume que tira fôlego e nos deixa ansiosos para o que virá adiante. É uma construção que realmente não dá aberturas desnecessárias e já sabia como trabalhar o lado psicológico contido na série de uma forma sublime e que sempre está avançando (Até comentei na época que saiu sobre esse fato de termos um início tão cheio de possibilidades).
A edição nacional ficou a cargo da Panini Comics (que também lançará a edição digital em breve) e seguiu o padrão atual da editora no formato 13,7 x 20cm, papel OffWhite e capa cartão. O novo padrão também vem acompanhado do novo preço (que para alguns é bem salgado) de  R$ 21,90. 

Afinal, porque está na estante?

Creio que, até por eu já ter indicado antes a obra, já fica claro que essa é uma das raras exceções de obra que indico para todos os públicos, pois mesmo não sendo seu estilo de mangá favorito; certamente será um tempo bem investido ao longo da leitura deste volume. 
Admito que é uma leitura que gera hype e isso que pode ocasionar os maiores problemas para o aproveitamento da obra. Devido a isso fica a recomendação de não ir com sede ao pote à leitura do volume, mas ir sabendo que há uma obra interessante e que merece a devida atenção. A diversão, pelo menos, é garantida.

Ficha Técnica:

The Promised Neverland #1 (Panini Comics)
Autor: Kaiu Shirai (Roteiro) & Demizu Posuka (Arte)
Formato: 13,7x20m
Nº de Págs: 192 Páginas
Preço: R$ 21,90
Onde comprar: Amazon
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