sábado, 1 de dezembro de 2018

Editorial – eu sou o artista do desastre


Aquele editoral que traz mais sobre o editor do que qualquer outro texto

Vamos do começo; para todos que não me conhecem eu sou Paulo Raposo (ou Paulo Ikari, como preferirem) e sou basicamente um ser formado de insegurança, baixa autoestima e procrastinação. Eu sou aquilo que Murphy incluiria em seu relatório sobre possíveis desastres e isso, da minha própria percepção é inegável. Contudo, também sou aquele que mais consegue demonstrar quem de fato é em momentos de adversidade e, de alguma forma bem maluca, pareço inspirar alguma positividade em quem convive comigo.
Ok, sei que é estranho começarmos um editorial de forma tão para baixo assim. Mas não desistam e venham comigo até o final, garanto que ficará claro o porquê deste começo estranho e diferente do que faria habitualmente, até porque creio que é preciso que eu me dispa dos rótulos para apresentar o conceito que trabalhei tanto para explicar nesse texto.
Primeiramente quero agradecer de coração a todos que acessam o site, ou que entraram aqui apenas para ler esse editorial de título bem diferente do habitual. De coração: obrigado, pois confesso que é difícil pensar que ainda temos tantas pessoas que leem e não ficam procurando apenas conteúdo audiovisual para saciar sua fome de conhecimento ou ver divagações (ok que aqui também teremos isso, mas acho que vocês entendem onde quero chegar. Precisamos ler mais e isso é um fato).
Devo dizer que toda essa ideia para o texto surgiu de um filme não nipônico chamado “Artista do Desastre” que, basicamente, conta a história do pior filme já feito em solo Americano. Estou falando do filme que conta toda produção do filme “The Room” - adianto que o filme merece ser assistido, pois ele traz uma mensagem mais completa do que a que passarei aqui. Dito isso, posso explicar que depois de assistir ao filme me peguei pensando que, de certa forma, todos somos artistas do desastre.


Afinal, todos enfrentamos problemas, nos deparamos com diversos não que a vida nos dá diariamente, saímos a luta e fazemos de tudo para garantir o melhor para nós e para quem amamos. Porém cada um segue e faz o melhor para que nem tudo seja o caos completo e a tristeza não nos possua por completo (ou deixa, vai da perspectiva de vida de cada um).
O que nos diferencia, no efetivo, é justamente essa questão de “cada segue sua vida”. Nem todos nós somos tão forte quanto parece, por mais bobo que pareça todos temos uma história e um passado para narrar até onde estamos. No caso do “Artista do Desastre”, ninguém sabe o passado do Tommy Wiseau (que é interpretado pelo James Franco), mas todos veem que ele almeja chegar longe e, de forma torta, consegue.
Mas, vamos pegar um exemplo japonês para dar outra perspectiva. Vamos falar sobre Masami Kurumada, mais conhecido como o homem que criou “Os Cavaleiros do Zodíaco”; pois na obra em que ele narra seu início de carreira (já falei sobre essa obra aqui no site), o próprio autor nos mostra que, por diversos momentos, a vida não cooperou com ele e nem foi piedosa. Ele penou, e muito, para chegar até seu primeiro sucesso e, mesmo diante das adversidades ele não pensou em desistir – não que ele não quisesse desistir, porém ele se encontrou naquilo e dali tirou um esforço.
Citei de forma bem resumida dois exemplos de histórias que mostram essa questão de superação, porém sei que é uma lista imensa e eu não quero seguir o caminho de indicação e sim explicar que o Dollars, a meu ver (depois de muito pensar, claro), é um desastre que deu certo.
Comecemos pelo fato que, desde que as atividades haviam se encerrado em idos de 2015, tudo cooperava para que o site não voltasse. Eram coisas demais acontecendo, problemas demais vindos com o tempo e algumas coisas acontecendo na minha vida que apenas me desmotivaram em diversos momentos. Não me entendam mal e não me achem ruim, é que eu tenho um forte senso de procrastinação e acabo empurrando muita coisa com a barriga, claro que, atualmente, isso é bem diferente e virou uma cobrança pesada de mim para mim mesmo; contudo naquela época era inegável que minha força de vontade era zero.
Porém daquele período até o primeiro post eu precisei passar por algumas coisas e retomar meu fôlego de voltar, mas como se faz isso quando nem você acredita em si próprio? Quando você olha para o imenso muro chamado bloqueio criativo e não consegue extrair nada? Pense bem… por mais que eu pareça ser incrível, eu sou esse poço de bloqueio. E isso é algo que me prejudica muito diariamente.
Quando enfim consegui retomar os textos, o fazia de uma forma muito espaçada e sempre procurando me conhecer mais, explorar diversos pontos e isso, aos poucos, foi me abrindo outras ideias e abordagem; logo surgiram outras colunas e afins, até chegarmos ao que vocês veem hoje. Não é que seja algo fácil, mas é um desafio constante que tenho vencido.
Todavia, me atendo a ideia central, posso esclarecer que por diversos momentos o resultado não era animador. Afinal, é complicado você ser teimoso e querer desenvolver 99,9% das coisas sozinho, você começa a se autoanalisar melhor e com o tempo percebe que há muitas coisas que lhe faltam. Eu, por exemplo, sou ótimo com a parte textual – de uma forma geral – porém sou horrível com edição e marketing. Não é meu negócio, mas tive que aprender na marra para me virar, e até me viro razoavelmente.
Também é importante ressaltar que, toda essa minha tese de querer trabalhar sem pedir ajuda se deve muito a minha própria incapacidade de ser alguém dependente dos outros. Admito que já fui muito de depender dos outros para tudo, porém hoje em dia eu me esforço para não precisar passar por isso, por esse motivo é que acabo me sobrecarregando – e isso é o que ocasiona boa parte dos meus bloqueios. Mas adianto que hoje em dia tenho tratado disso de uma forma melhor e que os resultados estão sendo cada vez mais positivos (sério).
No mais, devo retomar e dizer que, sim, eu pensei em desistir do Dollars no começo. Na realidade pensei em abandonar todos projetos que envolvessem a escrita e me entregar a minha solidão – que é o ponto mais forte existente dentro de mim… –, contudo sou teimoso. Não consigo aceitar a possibilidade de abandonar algo que amo (não desisto nem de amigos que insistem em sumir… quem dirá de algo que é meu sonho). Por isso segui adiante entre erros, acertos. Então as palavras negativas e até as minhas próprias dúvidas.


Posso dizer que me sacrifiquei para edificar cada ponto do que é o Dollars hoje e para trabalhar da melhor forma possível tudo que virá. Claro que não fiz tudo isso sozinho, de modo geral tenho muitas pessoas a agradecer, pois muitas me incentivaram ou me inspiraram de alguma forma. Hoje em dia acredito que se eu tivesse parado lá atrás não teria passado por um terço das situações que passei quando o assunto é conhecer novas pessoas e ir em novos locais.
Tenho uma sensação de crescimento muito maior e, não tenho palavras para descrever isso. É algo único e que, para mim, tem muito ajuda de Deus que me deu as pessoas certas para me fazerem acreditar mais em mim.
Posso dizer que esse site, assim como os outros projetos que virão logo menos são parte de um desastre que a pessoa mais desastrada do mundo resolveu cuidar e, apesar de todos os desvios de percurso, é o melhor desastre e a melhor fonte de motivação que poderia pedir.
Por último, quero apenas deixar esclarecido que esse texto ele tem um tom mais pessoal e diferente, mas deixo avisado que estou trabalhando para que os conteúdos cheguem de uma forma mais dinâmica e rápida para vocês e prometo me esforçar para melhorar os pontos de defasagem.
Agradeço muito a você que lê os textos ou nos segue nas redes sociais e acaba acompanhando algum dos materiais mencionados por aqui por meio das indiciações. Isso significa muito e prova que o trabalho está sendo bem-feito. Então, novamente, meus mais sinceros obrigados.
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